Estamos em época de grandes decisões. Não tanto para mim, que já estou na faculdade, por isso não tenho muito por onde optar de facto. Mas mais para a malta do Secundário, que agora acabou as aulas (cambada de bichos), e tem de fazer as suas opções de futuro. Gostava de partilhar convosco a minha vastíssima (ui) experiência de vida (ui) académica, contar-vos um pouco de história e mostrar-vos que a faculdade não é um bicho de sete cabeças assim tão grande.
Há um ano lembro-me perfeitamente de pensar que só me interessava passar com 10 no exame de matemática, desse por onde desse, pelo menos 10 eu tinha que ter na pauta…nem que para isso tivesse que fazer cair um santo do altar (que, de resto, são cada vez mais escassos. Compreendam a génese desta expressão), já que a segunda fase dessa mesma prova calhava mesmo em dia de Festival de Verão (Marés Vivas) e era a nota mínima com que eu conseguia entrar para a minha primeira opção de estudos. Felizmente, consegui arrancar uns heróicos 13 valores; heina, o Paulo Garcia tirou 13! Mas nem por isso eu fiquei logo decidido sobre o meu futuro, não tinha bem a certeza do que queria dele, se queria matemática à bruta, ou letras à bruta; querem um exemplo prático? É como pedirem a um pizzeiro (entenda-se, pessoa que cozinha aquele estrangeirismo) para optar entre uma pizza quatro queijos ou uma margarita! É dificil. Reparem na arte de comparar o meu futuro a duas modalidades de culinária.
Eu diria mesmo que só tive plena certeza do que queria fazer da minha humilde vida, na hora de me candidatar aos cursos. Recordo-me de algumas pessoas me dizerem que era completamente louco, varrido, demente, alienado, deslocado mentalmente por me inscrever numa faculdade tão castradora como o Instituto Superior Técnico (i-esse-tê. Nada de “ist”, nada de juntar as três letras e ler), que me iria fazer raios e coriscos, que me iria tornar num camafeu, numa pessoa com montes de pelos no peito e nas costas (curiosamente, os pelos no peito são uma constante surpresa. Espero que haja assimptota neste crescimento). Nada disso. Gostava de vos desmentir alguma mitologia, algum lusco-fusco em volta do I-esse-tê.
Primeiro mito
Não qualquer tipo de raça feminina pela Alameda do Instituto Superior Técnico.
Tremendamente falso. Aliás, arrisco mesmo a dizer que moças é coisa que não falta por ali. Sejam durante o dia, ou para os que preferirem, mais noctívagas. Posso-vos indicar alguns pontos chave, alguns focos de busca de sexo feminino: Torre de Química – sim, raparigas, química, torre, apinhada delas. Pavilhão de Civil e toda a área envolvente a esse íman tão grande de mulherio.
Segundo mito
Não existe qualquer outro tipo de pessoas, que não nerds.
Não é verdade. Encontram também totós, atados, panhonhas, tímidos, desavergonhados, barbudos (like me!), coolzões, desleixados, violadores (yep! Violador de Telheiras. Prata da casa) ou até ganzados. Sim, é só escolherem um rótulo e adaptarem-se a ele!
Terceiro mito
As praxes matam, são péssimas para a pele, só servem para maltratar caloiros, tratá-los abaixo de cão e esbofeteá-los.
FALSO! FALSO AO QUADRADO! INTEGRAL DE FALSO! FALSO EXPONENCIAL! Falo por mim, eu ia um bocado temeroso quanto às praxes, não fazia ideia o que me iam fazer, nem tão pouco se iria lamber a Alameda toda, rastejar, ser obrigado a beber, enfiar a cara em comida de cão. As praxes têm como objectivo fomentar o espírito de grupo entre os novos alunos do curso, cria amizades, mostrar-lhes o lado bom da vida de estudante e, diabos me levem, se até agora essa semana não foi a melhor de todo o meu primeiro ano. Graças a essa semana, fiquei a conhecer o que é afinal a praxe (a altura em que a praxe chegou a matar já la vai há muito tempo!), fiquei a saber que não nos faz nada mal, que nos divertimos à brava e que serve mesmo para criarmos laços com gente que vem de lados tão distintos do país (e do Mundo mesmo), mas que tem exactamente o mesmo objectivo que nós! Para terem bem noção, eu desde essa semana que manifesto vontade de entrar para a Comissão de Praxe de LEIC (Licenciatura em Engenharia Informática e Computadores) e, há coisa de duas semanas, entrei mesmo! A sério, não tenham medo das praxes. Com um bocado de sorte ainda dançam a Macarena connosco
Quarto mito
O IST obriga-vos a perder a vossa vida, todo o divertimento e o lado bom das coisas.
Busted! É verdade sim que vão passar a dar valor ao (pouco) tempo livre que têm, assim como também é verdade que vão continuar a ter vida fora do IST! Eu mantenho uma vida paralela a isso, com romance, amigos, música, escuteiros, família, divertimento, tudo isso! Sim, apanharam-me, não leio um livro completo há quase um ano. E entenda-se livro, como uma alternativa aos cadernos de apontamentos das cadeiras. Vão ter jantares de curso, vão ter Semanas de Informática, vão ter festas, vão ter o Mega Super Arraial, vão ter o Arraial do Caloiro, vão ter borgas, vão ter vida de estudante. Mas também têm, obviamente, o lado chato da coisa: ressaca.
Quinto mito
O IST está podre.
Falso. O IST não tem problemas intestinais, não. Podem sim encontrar alguns auditórios a cair de velhos, paredes lascadas e tinta a saltar. Mas, meus caros, é uma instituição com 100 anos de existência! E digo-vos que dificilmente acharão outro sítio com tanta riqueza de recursos como o IST. Aquilo é mesmo (e acreditem no que vos digo) um mundo e podem-se perder lá dentro na boa, num abrir e fechar de olhos! Está aberto 24 horas por dia, entra e sai quem quer e a segurança até é bastante. Sim, vão ter uma “Carta de Exploração” do IST nos primeiros dias para se orientarem lá dentro, não vão ter intervalos, vão andar a correr de aula para aula (imaginem quando tiverem que atravessar de uma ponta para a outra do campus. Não há toques para intervalo, não há faltas. Acreditem que depois os vossos sentidos apuram-se
Aproveitem o que o IST oferece. Onde nós estamos, milhares querem estar. Apesar de toda a porrada, todo o esforço e todos os problemas e noites mal dormidas, é uma oportunidade de vida. Nem tudo é bom, mas faz-nos crescer! Aproveitem também a Semana Académica, aproveitem os arraiais, os jantares e queiram estar com os vossos colegas a toda a hora, apeguem-se a eles, façam um grupo…vai ser fulcral em várias alturas da vossa vida












São ou não são um mimo?! E é incrível como as cores jogam perfeitamente! Verde, ganga e laranja! UAU! Aonde é que ele foi arranjar tanto estilo?












