O Regresso do Soldado Paulo “Ryan”

2 Comments

Querido blog, parece que  passados trinta anos do meu último escrito, eu te comunico. Entretanto,  já abandonei a ilha, com a jangada que construi apenas com um canivete, uma maçã e uma folha de palmeira. Criei família, arranjei um cão, comprei um veleiro, moro numa herdade e tenho cavalos a correrem de crina ao vento.

Seria tão mau encher-te o goto de histórias minhas que se passaram desde o último post, por isso vamos fazer assim. Eu vou fazer assim, vou-te contar algumas coisas, outras ficam minhas, tu não te chateias, eu não tenho muito trabalho! Deal? Se te recordas, a última coisa que te escrevi foi um orelhudo texto sobre os concertos de Coimbra (aaaah, a suave – ESTONTEANTE – nostalgia); bom, desde então não voltei a pôr um pézinho num recinto musical. Em contrapartida, a minha vida Institutó-Superior-Tecniana tem corrido até bastante bem! Já fiz este semestre mais cadeiras que no semestre passado, eu diria mesmo rudemente e (claro) sem te ofender, já fiz um porradão de molhadas de paletes de cadeiras:

2.

Vá, sem cadeiras passadas, o pessoal não tem motivação! Ainda por cima Gestão! Deves calcular pelo nome que, a cadeira, é uma estucha de pior. E achas bem!! Digamos que era um pequeno problema, era como um pequeno martelinho que tinha a furar-me o miolo a dizer “vê se limpas esta M#r$@a desta cadeira duma vez para não teres que ouvir tudo de novo”. E passei!

Mas queres saber o que é mais notável no meio disto tudo? Já comecei a tirar a parte final da minha carta de condução, o que significa que já me podes encontrar aí a na estrada, ao volante de um bonito carro de instrução. E, guess what, em oito aulas de condução, o carro só foi abaixo…uma vez! Estaciono de rabo (sem bater), mudo de direcção (a fazer o pisca), entro em rotundas (sem galgar o passeio), mudo de mudanças (às vezes a saltar da terceira para a quarta, para reduzir. Shame), ando dentro do trânsito (mantendo as distâncias de segurança), sou um pequeno Fangio em ascensão, um pequeno Schumacher, um pequeno duque do asfalto (que pompa, para um pequeno aprendiz de condução), um pequeno…chega. Conclusão: espero estar encartado (salvo seja, ricas costas) muito brevemente! Vou aproveitar as megas férias do IST (WOOHOO! UMA SEMANA DE TOTAL DESBUNDA! Ou. Não. Muito pacata) para dar um avanço naquilo e terminar tudo.

Com isto tudo, não sei quão longo vai ser este hiato de escrita. Prometo que te escrevo assim que me for possível. Não como da última vez, que te demorei 30 anos a dirigir uma palavra.

 

Swear.

Crónica popular

4 Comments

Denotem que já escrevo isto com o avançar da madrugada e que as próprias palavras deverão sair engelhadas. Mas adoraria poder escrever sobre esta matéria e não encontro melhor altura que esta, que o povo Português acha ser o fim do Mundo.

Ontem assistimos a uma batalha entre portugueses e espanhóis. Viessem os nossos antepassados dos mortos de novo a Portugal e concerteza vos afirmo que se assustariam…e não seria com tal prestação do nossos mui nobres e elegantes jogadores da selecção nacional de Futebol. Seria convosco, povo. De facto, o empirismo popular sempre foi uma coisa que me fascinou, por todas as razões possíveis: é flexível, maleável e ajusta-se facilmente à situação que vive, de tal maneira que chega a ser ridícula tal maleabilidade. Quando “soubemos meter sete golos lá dentro” (aí está, como o povo adorar falar, primeira pessoa do plural para as vitórias) éramos heróis, fomos bravos, desde Aljubarrota que não éramos tão bravos, não cabíamos dentro das nossas camisolas de tanto orgulho e patriotismo. Mas ontem, ontem fomos fracos, ontem não fomos nós que estivemos a jogar, ontem foram onze pessoas que por acaso têm nacionalidade portuguesa e que só representam Portugal (terceira pessoa do plural para as derrotas) . Coincidência! Por acaso, deixámos de estar lá a jogar no jogo em que, precisamente, sofremos o primeiro golo do Campeonato do Mundo. Eina! Que drama. Realmente, esta moeda tem dois versos, é sinal que somos audazes e que temos cabeça “suficientemente fria” (prefiro ver as coisas deste prisma e não do prisma da irracionalidade) para identificar culpados, somos crescidos e sabemos exactamente de quem é a culpa. Então nós! Que estamos a milhares de quilómetros de distância da África do Sul, que nos regemos através de pivots ‘nada’ parciais que nos fazem chegar as notícias através de uma caixa preta. Fantástico! Fantástico é também quando os que lá estão passam a culpa de uns para os outros, o capitão faz birras e o indíviduo X dá com a língua nos dentes. Perdoem-me a rudeza de tal expressão, mas esse indivíduo X foi o único a “ter tomates” para levar à rua uma verdade que já era tida em conta pelo povo. Alias, esse individuo é um mero provínciano, que tira conclusões com base no empirismo do povo. Não é isso que somos todos? Tão depressa nos pomos num pedestal, como cortamos as nossas próprias vazas? Não somos nós os mestres em desacreditar naquilo que é cá feito? Não somos nós os áses do diz-que-disse? Afinal, também somos nós que paramos o país para sua santidade, Papa Bento XVI, entrar e também somos nós que vamos lá lamber as botas e acomodar o seu cadeirão!  Já para não falar da tolerância de ponto que nos foi concedida, durante tempos tão calmos e etéreos como os que vivemos economicamente nos dias de hoje…tão calmos que podemos parar a produção nacional durante, vá, três desgraçados dias para podermos assar um porco em família, ir à praia ou simplesmente falecer lentamente em frente a um televisor.

Somos nós que nos esquecemos de tal riqueza cultural portuguesa (de seu nome José Saramago, que seguramente está num lugar melhor que este) durante anos e voltamos a parar a capital para o receber enquanto morto, para lhe deitar rosas no caixão e o aclamar como rei dos oprimidos? A isso, na sábia opinião popular, costuma-se chamar hipocrisia. Mas não! Temos plena consciência dos nossos actos, seremos fortes e remaremos contra todas as marés com a nossa má convicção.

Porque é assim que nós, Portugueses, vemos as coisas. Fomos educados para esperar por um salvador eterno e ficamos na desgraça quando o maior candidato a esse estatuto nos falha. Talvez daqui a dois anos voltemos a pôr as bandeiras nacionais na janela porque, afinal, é para isso que elas servem, meros adereços decorativos de quintal ou varanda durante competições de futebol. O quê? Cantar o hino de mão no peito? Mostrar respeito pela bandeira? Não, se for preciso até nos rimos quando não temos os jogadores de futebol a cantá-lo com connosco!

Mas agora, por amor ao Senhor (e olhem que eu não sou de pedir muito a Deus), podemos voltar à vida normal? Aquela que nos deixa deprimidos no dia-a-dia porque supostamente não existe dinheiro para comer, mas já o há para cruzeiros ou férias em destinos paradisíacos? E pela vossa saúde, podemos devolver as vuvuzelas à Galp, para depois serem remetidas aos Sul Africanos, sendo posteriormente enterradas ao lado dos mamutes? É que – e vão me perdoar o palavreado pouco ortodoxo, porque o perdão de Deus chega para todos – sinceramente, já não há santo que aguente.

P.S. 1: para os que estarão aí a perguntar, sim, sou português e gosto de o ser.

P.S. 2: para os que também estarão por aí a indagar, sim, a liberdade de expressão foi uma coisa que conquistamos há 36 anos atrás.

De entre as coisas que odeio conta-se…

1 Comment

Cegueira

Esta é talvez das coisas que menos gosto, possivelmente a que me faz mais espécie de entre todos os meus “ódios de estimação” (olhem para mim, uma pessoa tão pacata com ódios de estimação). Não o posso considerar um ódio, não detesto as pessoas cegas, não detesto as pessoas que não conseguem arranjar uma cura milagrosa para a cegueira. Detesto simplesmente o facto de ser uma deficiência que condiciona um orgão sensorial tão importante como a visão, o nosso para-choques mais importante. Por esta ordem de ideias sim, também odeio todas as outras deficiências: é verdade. Não suporto o facto de alguém nascer com menos uma capacidade que eu, não termos todos as mesmas adaptações…faz-me um bocado de confusão ver pessoas que têm que ultrapassar diariamente enormes obstáculos (materiais e sociais) para alcançarem os seus objectivos. Faz-me confusão ver que há pessoas aparentemente iguais a mim que, afinal, precisam do auxílio de uma vara para poderem andar. Faz-me confusão ver que há pessoas aparentemente iguais a mim que, afinal, não o são por não saberem dar a mão a cegos quando mais precisam. Faz-me também confusão ver que há pessoas aparentemente iguais a mim que, afinal, não o podem ser porque em vez de ajudar, ainda atrapalham mais. Revolta-me gente que não segue padrões-modelo de vida, que não tem formação, que é labrega e não sabe como segurar no cotovelo de um cego quando este se manda inconscientemente para dentro de uma estrada. Não estou a dizer que, com estas boas maneiras todas, dou esmola aos cegos no metro porque não o faço. Mas repugna-me ver gente que afasta a linha do olhar quando vê um cego para fingir que não o viu e assim não tem que o ajudar.

Não sei como é estar na pele de um, tento por vezes fechar os olhos e guiar-me pela minha casa. É relativamente fácil porque não tenho carros a impedirem a minha passagem, é fácil porque não há passadeiras nem sinais de trânsito para cumprir, não tenho escadas para subir, não tenho buracos no chão de casa, sou eu que mando na minha trajectória dentro de uma zona que considero ser a minha “Zona de Conforto”, uma zona que eu domino há anos de olhos abertos. Imaginem que cegavam agora, como reagiam? De que sentiriam mais falta? Já fizeram esse exercício? Aposto que se todos tivéssemos um “período de cegueira” passaríamos a olhar o que nos rodeia com outros olhos, a dar valor ao que temos e a compreender como é passar uma vida atrás de um pano preto. Já leram o “Ensaio sobre a Cegueira” do José Saramago? Não? Deviam seriamente pensar em fazê-lo…seguramente o melhor livro que li até hoje.

E vocês? O que acham disto?

De entre as coisas que odeio conta-se…

2 Comments

Escolher coisas num expositor

Como podem ter percebido, pequenas acções corriqueiras do dia-a-dia dão me uns nervos desgraçados. Vimos de uma crónica sobre camas geladas, hoje falo sobre algum ódio que nutro em escolher coisas de uma montra de supermercado, de uma mercearia, de uma loja de tecnologia ou até de uma loja de brinquedos.

Quantos de nós já foram surpreendidos ao chegarem a casa e a coisa que escolheram, ao fim de fazerem uma imensa colecta de dinheiro, está pura e simplesmente…estragada ou tem defeito de fábrica? Vá vá! Eu sei que isso não acontece só comigo! De facto, pontaria para escolher coisas numa montra de produtos é algo de que eu careço bastante, não só por escolher sempre o que tem defeito, como também sempre que eu desejo adquirir algo, esse produto pode estar exposto durante meses e MESES a fio e na altura em que eu finalizo a minha vaquinha e me preparo para me fazer a ele, o produto simplesmente desaparece da loja! Não sei quantas vezes isso já aconteceu convosco, mas comigo ainda foram algumas vezes.

Dou-vos o exemplo do meu portátil. Andei durante meses e meses e meses e (ainda!) mais meses a juntar dinheiro e a adiar a compra de um computador portátil, porque achava que se calhar era demasiado prematuro comprar um. Quando chega ao dia D, ao dia que finalmente dava o major step e que ia à Fnac comprá-lo, com o modelito escolhido de antecedência e tudo, o belo do produto…estava esgotado. Mas até aqui tudo bem! Tudo bem porque fui forçado a desembolsar mais uns bons euros e fiquei com um computador melhor. Ainda assim, na escolha do novo portátil, havia um monte de caixas de cartão canelado que revestiam a caixa do pc em si e, com tanta hesitação, tanta indecisão e tanta escolha (acho que o problema acaba mesmo por ser esse), acabei por escolher o computador que podia vir com mais defeitos de fábrica de todo o lote que se apresentava lá para compra. Já se passou o mesmo com roupa, com telemóveis, com tanta coisa!

Portanto já sabem, quando quiserem ir comigo às compras ou assim, nada de grandes decisões ou mesmo indecisões. Directos ao assunto…sou azarado na matéria de escolher num supermercado, não me mandem escolher muito entre coisas iguais! :)

De entre as coisas que odeio conta-se…

5 Comments

Camas geladas

Não sei quanto a vocês, calorosos leitores desta página mas eu, enquanto precioso e quente hominídeo deste planeta, sinto de maneira muito agressiva o aquecimento global na minha cama. Por norma, costumo deixar a minha cama a arejar todo o dia (literalmente todo o dia e compreenda-se este vocábulo como uma versão mais encurtada que define todo o tempo que eu não estou lá dentro), desde um pouco antes das sete da manhã até às duas da manhã, se não mais tarde, do dia seguinte. Todo este compasso de espera torna, depois, o aproach entre nós os dois muito mais tenso, não sei se ela o faz de propósito, não sei se quando venderam o colchão à minha família lhes falaram nesta possibilidade, de todo o meu colchão se voltar contra mim por falta de atenção e carinho. Mas dizia eu que a hora do reencontro é sempre bem mais difícil e a verdade é mesmo essa! Agora pensem, se nos tivéssemos contido há mais tempo nas emissões de gases de estufa e se não tivéssemos feito uma data de coisas que não posso dizer se não o Al Gore vem atrás de mim de todos a quem eu apontar o dedo por me porem a cama mais fria, podíamos ter prevenido que se alterassem os ciclos naturais, que chovesse menos, que as temperaturas baixassem, que houvesse calor nas alturas erradas, que eu tivesse uma massa de ar gélida em minha casa e que as minhas mãos se transformassem em duas calotes polares cada vez que saio à rua. Vejam ainda assim as coisas: somos nós que andamos a esfriar a cama uns dos outros (com o devido respeito), mesmo sem precisarmos de nos pormos lá dentro com ou sem essa pessoa…nunca tinham visto as coisas por este prisma pois não? Tecnicamente, podem pensar que estiveram na cama da Eva Longoria Parker ou da Jennifer Love-Hewitt (para os rapazes a sério) indirectamente, mas não estiveram! Por isso, se faz favor, podemos parar de gelar a cama uns dos outros?!

O melhor disto tudo ainda é poder contrariar a frieza deste encontro com o meu (wait for it, vou ver o nome) IMETEC, que me aquece 4/5 da cama e me faz dormir que nem um bebé até à manhã seguinte. Por azar, o último quinto que não é aquecido coincide com os meus pés, que podem oscilar entre temperaturas tão confortáveis como os 5ºC negativos e uns amenos 0ºC.

Este é o meu primeiro ódio, exposto aqui. Não percam todos os outros que se vão seguir.

(na imagem. Eu com um simpático gorro azul e a minha cama, com um barrete preto de gatuno)

O baloiço anual

4 Comments

Não tenho estado muito activo no blog nos últimos tempos, ao contrário de há um ano atrás, em que Dezembro foi o mês com mais posts de sempre (média de um por dia). Um ano depois mal venho cá escrever, já viram como as coisas se voltam?! Ainda assim, cumpre-se a rotina de final de ano de toda a gente, mesmo os não-bloguistas que preferem fazê-lo em família ou em jeito de introspecção. Ora então a minha gira assim…

2009 foi um ano diferente, foi um ano de GRANDES GRANDES ENORMES GIGANTES mudanças; com isto não digo que mudei de aposentos, nem mudei de carro porque não o tenho. Começando pelo início do ano, com Janeiro veio o início do segundo período do meu décimo segundo ano, o ano fatal, o ano do tudo ou nada, o ano em que eu mudava de escola, de ensino, mudava de companheiros de turma pela quarta vez consecutiva (mudar no 10º, 11º, 12º e faculdade é muita gente junta). Faltavam dois períodos inteiros e tinhamos que os aproveitar à grande; e foi isso que fizemos. Tinhamos acabado de marcar a nossa viagem de Finalistas (omg, prevejo um post altamente nostálgico para mim) e dali para a frente era arranjar dinheiro por conta própria; tinhamos até março para pagar e esse mês estava tão longe de chegar! Em relação à escola mesmo, em Janeiro tivemos o dia da Família, organizado pelo grupo de EF, Fevereiro foi marcado pelas férias do Carnaval e pela saída, também ela feita com as estagiárias de EF. Para dizer verdade, até sinto saudades delas (quem não teria?! eheh :P )! Chegáva então Março e eu juro que andava a contar os dias todos até ser final do mês, para poder acabar o período e nos metermos dentro do avião e irmos directamente para Paris! Se eu podia ter pedido melhor semana?! Não, completamente não! Aliás, ainda hoje se me falarem no nome Paris, ou me mostrarem imagens de algum ponto chave de Paris eu começo imediatamente a divagar…acho que o meu organismo foi automatizado para reagir imediatamente ao vocábulo Paris! Queria tanto poder voltar lá com as mesmas pessoas (ok, secalhar tirava uma ou duas menos activas, mas acho que não me importava de ir com os mesmos na mesma!) e esse sim é o grande highlight do meu ano. Voltámos à escola para o terceiro período ainda meio afectados pelo efeito parisiense e eu ainda tinha alguma indecisão sobre o curso que teria de escolher: comunicação social ou Engenharia Informática?! Pólos opostos, concordarão vocês. Acho que só estive realmente decidido quando me candidatei no dia doze de julho, quando já não podia voltar atrás. Antes ainda passei pelo baile de finalistas (que ainda hoje recordo também ele com grande saudade! Ao licor de lagarto que ficou perdido na bagageira da Prof. Cláudia :P ) e pelos exames: 17 a Português (melhor da escola..yeah!) e 13 a Matemática (acima do que precisava…dava na boa!).

Bom e primeiro que chegássemos a Setembro?! Nunca mais era dia de fixação das pautas! Estava sozinho em casa quando sairam as colocações e então para extravasar toda a minha alegria depois de saber que tinha sido colocado pus música ao altos berros MESMO e uma das músicas que estava na banda sonora era precisamente esta, o que provocou uma reacção instintiva de pular durante imenso tempo! As inscrições foram uma semana mais tarde e na segunda a seguir começava a semana de praxes, outra semana memorável do ano 2009. Foi mesmo isso que me mudou a opinião sobre o IST, desfez todos os tabus e futuros caloiros do IST, aprendam: a semana de praxes é a melhor para desfazer todos os mitos que existem em relação a isso! Até agora não desisti e não vou desistir daqui para a frente, quero muito isto; lutei tanto para chegar até aqui que seria injusto para mim mesmo fazer isso. Não digo que esteja a ser fácil, que não tenha pensado fazer isso, porque até é o que mais me ocorre quando não percebo um bói do que se dá lá! Mas isso merecia um post e este já vai longo, fica para mais tarde. Estou agora no fim do primeiro semestre (estão a ver como o tempo voa? Em pouco mais de cinco minutos falei-vos da minha espectacular evolução escolar!), no principio da época de exames e já deito as mãos ao ar a desesperar por Fevereiro que nunca mais chega!

Paralelamente a isto tudo, a segunda mudança ocorreu a nível dos escuteiros. Mudei dos brilhantes pioneiros para uns espantosos caminheiros, surpreendeu-me em tudo, nas pessoas, no ambiente, nas actividades, no espírito de grupo, na cooperação, na organização, nas ideias, nos projectos, nas discussões que já tivemos, nos confrontos, nos anúncios BRILHANTES que realizamos, na festa de aniversario de agrupamento. Somos um! Temos ainda tanto para fazer e já esfrego as mãos para me preparar para a promessa e para um acagrup! Amazing!

Musicalmente, foi muito bom! Não fui a muitos concertos, mas os que fui valeram TANTO o dinheiro! Queria ter ido a mais, isso queria, mas eles para o ano tão cá todos caídos de novo! Fui ver os The Script à Aula Magna e seguiu-se o Marés Vivas, esse grande evento de música no norte do país. Essa foi outra aventura e tanto, recordo de barriga cheia…bom, se for pela fome que passámos, a barriga não está assim tão cheia quanto isso! Agora no final do ano e para terminar a ronda de concertos em 2009, The Prodigy foram uns senhores! Nunca tinha suado tanto num raio de concerto como no concerto deles, estava a ver que perdia uma perna ou umas costas durante o concerto, ou um estômago completamente vazio. Música do ano?! Por muito que não goste…esta, sem dúvida alguma. Em Portugal? Esta e esta, por serem as mais passadas de todo o ano.

O ponto final deste post é rematado com os meus dezoito anos. Não parece, mas é verdade. Apesar de o quizz do Facebook não me dar mais de treze anos de idade mental, tenho mesmo dezoito anos e estou a tirar a carta de condução. Watch out! Mas não se preocupem, eu aviso publicamente quando estiver prestes a pegar num carro para que vocês se possam afastar completamente das estradas.Posso dizer que já bebo como gente crescida, mas sempre moderado (bom, tiro o pé um bocado do travão nos jantares de curso…e aquela ginja, meu Deus, vale ouro!).

A minha resolução de ano novo vai ser, como sempre, atingir todas as minhas metas, mas em especial as da faculdade. Também estou envolvido aí nuns projectos mas tudo a seu tempo, a seu tempo meus senhores! Estou a fazer figas até com os dedos dos pés!

Por isto tudo e por muitas mais coisas que foram faladas ao longo do ano, aqui ou lá fora, comigo ou sem-migo (gostaram? :D ), aquilo que me fez sorrir ou desesperar e todas as pessoas que simplesmente entraram pela minha vida a dentro sem pedir permissão que são as melhores pessoas que podia ter como melhores amigos. Ao grupo que ficou para trás, ao grande grupo que somos na faculdade, aos escuteiros, à minha familia, aos conhecidos, ao Facebook, ao Twitter, à Apple e a tudo aquilo que mudou a minha vida…

UM 2010 DO CATANO! UMAS ENTRADAS ABOMINÁVEIS E UMAS SAÍDAS TRIUNFANTES!


Frases do ano:

- O <insert name> é PUSSY!

- LEEEERROOOOY! JENKINS!

- CHUPAAA!

- Sabes quem é que me fizeste lembrar agora?!

- “I’m slappin’ the bass, slappin’ the bass”

- “Se estás triste e te falta alegria, dá um chuto na melancolia (…)”

- “Hoje está ligeiramente mais calor, não achas?”

- “Ohhhh Paulinho….AÚ!”

- Nice!

- Heina mans!

- “Tu és tão boss!”

- Leão das falésias

- Morsa dos alpes

(a acrescentar)

(tudo o que está a bold durante o post foi o que marcou mesmo, as palavras-chaves deste ano)

Friendships are… (forever?)

6 Comments

Lembro-me quando tive o meu primeiro amigo. Era puto, não sabia o que queria da vida e ter alguém exterior ao seio familiar dentro da minha vida era algo que até me parecia bastante bem. Era alguém com quem eu brincava, escorregava num grande escorrega de metal que havia no meu infantário e passava a vida a correr com pneus nas mãos. Com o tempo passei a perceber que amigo era aquele que nos ajudava nos trabalhos de casa, a fazer a tabuada e a pintar para a capa de trabalhos, que corria connosco pelo recreio fora e fazia traquinices saudáveis. Nova mudança e mudaram-se também os parâmetros da amizade, o mundo evolui e a mente adapta-se, os amigos eram aqueles que lá estavam para nos dar a mão quando caíssemos, quando o corpo vacilasse e haveria de estar lá sempre alguém para nos amparar. No matter what, eles haveria de aparecer, não era preciso estar de corpo presente, dar a alma.

Não gosto quando esta rede por baixo do arame cai, sinto-me desconfortável, desnorteado. Os amigos são, talvez, a maior componente da minha personalidade, talvez por sempre me ter entregue muito às amizades, ter estado de corpo e de alma em todas as minhas verdadeiras amizades. Sublinho, verdadeiras amizades. Não é a primeira vez que sinto que a rede por baixo do meu arame se desvanece, mas tento e luto com todas as forças que tenho para que isso não aconteça; tento equilibrar-me no arame, ao mesmo tempo que tento agarrar na rede. O problema é que muitas vezes acabo por cair eu, em vez de deixar cair a rede. Magoa, não digo que não. Aliás, acho que toda a gente vai concordar comigo se disser que nunca desvendamos uma amizade na sua completa totalidade, só há que ter engenho e arte para saber dominar o caminho de cada amizade, endireitá-la quando se desvia, deixa-la cair quando os meios não justificam os fins. Já o dizia alguém que “a amizade é como um bom café: quer-se quente e quando arrefece, já não é a mesma coisa”.

Achava que quando tínhamos prometido que não nos iamos esquecer uns dos outros tinha sido a sério, não precisava de ser assinado ou cravado. Achava que teríamos todos o bom senso e seríamos todos adultos para conseguir manter uma relação à distância. Não fomos capazes, vocês deixaram-nos cair do arame e continuaram como uma rede unificada. Mas não fizemos nada a não ser levantarmo-nos e seguir em frente, é isso que o ser humano faz, arranja sempre maneira de sair da situação. Eu arranjei novos, bons, grandes amigos na faculdade. Não estou a dizer que me esqueci dos velhos, bons, grandes amigos…não como eles me fizeram. Tenho o velho e o novo, ambos me satisfazem e deixam realizados…mas tenho a certeza (e fica aqui escrito e assinado por mim) que vão ser os novos que me vão marcar, que vão ser os novos que vão prevalecer na vida e se vão rir de tudo connosco, vão beber conhaque connosco à frente de uma lareira ou à volta duma mesa redonda cheia de recordações.

Por fim, reitero o que sempre defendi e adquiri como máxima de vida:

Só importa os que cá estão. Os que já cá estiveram hão de voltar quando precisarem. Os que cá estão hão de voltar mesmo que não precisem.

Assino,

Paulo Garcia (o próprio)

Nun’z (assina por baixo e reitera)

Crónicas alvitradas: “Transportes equacionais”

1 Comment

(A Fia foi a vítima mais recente da minha vontade de ter alguém a escrever para mim. Pedi-lhe há duas semanas atrás para me escrever algo, estilo completamente livre, soltar a franga literária e como ela já tinha tido um blog achava que a coisa até era capaz de resultar bastante bem. Já agora, este é o blog dela; ela gosta de fazer amigos e tem dois peixes na barra ao lado que podem alimentar. Matem o Elvis Peixoto com comida e tomem especial atenção ao Arroz de Tomate. Publicidade, Fia, é cobrada à saida! :D )

A convite do Stee, falo-vos hoje sobre meios de transporte.

Estava eu a sair da estação do metro na Pça. de Espanha quando me deparo com o seguinte anúncio:

carris_1

À primeira vista (e à segunda também), o anúncio da Carris parece cativar realmente os peões. Passaram então duas pessoas que, sob o meu olhar atento, não só pararam como também sorriram para o “slogan”. E deva exprimir-se por palavras as imagens: “Pessoa mais autocarro igual a menos carro menos um carro”. Se pelo símbolo “- carro” a pessoa não percebeu bem a Carris esclarece: “menos um carro”. Ou será que a Carris queria dizer menos dois carros? Será que a empresa não sabe que cada pessoa só pode conduzir um carro? Hein?

Mas é certo que os transeuntes não ficaram a matutar na igualdade. Pelo contrário, eu, como pessoa que divaga por vezes um pouco exacerbadamente, fiquei a espremer o assunto por mais uma meia horita.

A partir da igualdade inicial e, pelas regras matemáticas que temos vindo a aprender, obtive então, primeiramente, a seguinte equivalência:

carris_2

Mas esta equivalência não faz qualquer sentido. É claro que aqui a igualdade seria, em termos lógicos (e não matemáticos puros):

carris_3

Isolando a pessoa num dos lados da igualdade, partindo novamente da primeira expressão, obtém-se:

carris_4

Desta forma eu alerto para os acidentes de trânsito. Pois é meus caros! Um autocarro em choque com um carrito (leia-se o “+” desta expressão como “choca com” (ui, que matemática pura)) e lá se vai uma pessoa.  Assim como:

carris_5

“Uma pessoa choca com um autocarro choca com um carro é igual a zero”. Esta é definitivamente a forma canónica da questão. Dos acidentes mais perigosos não resta mesmo nada. Por isso o melhor mesmo é:

carris_6

E este brilhante conjunto de símbolos significa que uma pessoa que anda a pé é igual a menos um (lugar no) autocarro e menos um carro. Ora aqui está uma pessoa saudável, que não se mete em acidente perigosos e é, ainda, amiga do ambiente. Nesta não pensou a Carris. Mas não faz mal, está aqui a Sofia a corrigir a situação.

Como com isto ainda não tinha chegado à meia hora, pensei em coisas absurdas como:

carris_7

Ora, esta igualdade, necessita de um pouco de criatividade e talvez um grande bocado de estupidez, para ser entendida na íntegra. Assim sendo, leio esta igualdade como: “Uma pessoa barra em condução automóvel está apta para conduzir autocarros” (entenda-se “barra” como: imensamente dotada para). Ok, a demência está confirmada.

Acho que vou deixar de usar Carris e passar a usar só o melhor meio de transporte: O metro! Pelo menos sobre ele a Carris não deixou qualquer mensagem subliminar.

Fia

Older Entries

Follow

Get every new post delivered to your Inbox.

Join 130 other followers