Oficialmente ainda não terminou o meu primeiro ano de curso, o meu primeiro ano de faculdade, mas é como se já tivesse acontecido. Embora só acabe na próxima quarta-feira, dia 9 de Junho, penso que posso já fazer um balanço de como foi a experiência “faculdade” durante já quase nove ou dez meses. Passou tão depressa!
Ainda no outro dia estava eu nas inscrições com o pessoal da ESJCP, com algum receio do que seria o IST e do que me estaria reservado. Lembro-me perfeitamente de no primeiro dia de aulas não ter a primeira aula da manhã e estar no pavilhão de informática sem conhecer ninguém, já que as únicas pessoas que conhecia, o Técnico tinha feito questão de separar de mim. Fui-me sentar num muro lá na Alameda do IST e tirei esta foto, parecia turista, tudo aquilo era tão novo para mim que não queria acreditar, qual Alice no País das Maravilhas. Ok, secalhar NÃO tanto, não mesmo.

Hoje voltei a ver esta foto e, se na altura achava que era um fascínio, hoje é-lo de maneira diferente. Já conheço os cantos à casa e convivo todos os dias com a fachada imponente que se ergue no topo da Alameda. Instituto Superior Técnico é nome pomposo, é nome em grande e com grande carga. Afinal, está de pé há 100 anos e por ali já passaram milhares e milhares de alunos, engenheiros, mentes brilhantes! Eu sou apenas o aprendiz, sinto-me pequeno mas adoro, adoro tudo ali, adoro toda a gente que conheci, adoro o facto de ainda ter pela frente montes de coisas novas para descobrir, adoro! Mas não foi fácil, nem o é nos dias de hoje confesso. É dado adquirido: tudo no IST é puxado, nem que seja a engenharia mais reles (porque, dentro de todas as engenharias dificeis, há sempre aquela que é menos dificil), é duro, é suado, só me ocorre a expressão “sangue, suor e lágrimas”. Secalhar é hipérbole, estão vocês a pensar, “cá p’ra mim ele é mas é um petas, um molengas”…não amigos, não é mentira. É preciso ter dois dedos de testa e três de loucura para se inscrever num curso no IST. Podem ter a certeza que é uma aventura para a vida, podem até não voltar a sair de lá, sendo catedrático ou passando anos a fio sentado na cadeira do auditório a tentar ultrapassar as matérias mais indegestas; mas podem ter a certeza, o Técnico forma-vos enquanto pessoas, o Técnico não forma fachadas nem engenheiros que só se preocupam com a maneira como se aperta determinado parafuso ou cabo, forma engenheiros que se preocupam em saber do que é feito o parafuso. Sim, soa a lavagem cerebral e até podem nem querer saber dos parafusos, mas no final de contas, vão ver que a bagagem de conhecimento que levavam de manhã, sai de lá muito mais rica e cheia! Não fiz todas as cadeiras do primeiro semestre, deixei penduradas as matemáticas e neste semestre tive de deixar cair já uma cadeira, são opções, há que ser realista e ver quando nos esforçámos o suficiente para passar a uma cadeira e quando não. Sim, é claro que houve aulas que me baldei, aulas que fui para a rua, aulas em que fui confrontado pelos professores, aulas em que falei mais e aulas em que até dormi ou não ouvi porque estava de ressaca do jantar de curso da noite anterior. Mas são experiências, são pequenos desleixos que, tudo bem até nos podem custar a cadeira, mas nos fazem sentir estudantes, que temos tanto ainda para passar na vida, que só agora é que começámos a ser académicos (académico diferente de boémio, uma coisa que digo para mim todos os dias).
E não podia pedir melhor companhia de trabalho, melhor companhia no meu dia-a-dia que as pessoas que conheci este ano, todas elas. Somos tão diferentes, mas formámos um grupo tão fechado, tão fixe e tão simples que nos conseguimos completar uns aos outros! Que bons momentos já passámos juntos, podia enumerá-los todos mas perdia-me no raciocínio e não me posso alongar muito. Só tenho a agradecer à semana de praxes (sim, aquela de que toda a gente tem medo) e aos jantares de curso! Só passou um ano e já temos tanto para contar.
Se voltava a fazer o primeiro ano todo? Não, de todo, as cadeiras de primeiro ano são chatas e enfadonhas. Mas infelizmente para o ano há cadeiras que vou repetir…não, não estou a atirar já a toalha ao chão, a esperança é a última a morrer, até ao lavar dos cestos é vindima e ainda nem entrei na época de exames! Ainda posso usar todos os trunfos que tenho na mão, tenho é que os saber utilizar! Vai ser difícil? Vai! mas tem sido difícil desde Setembro mesmo! Não quero amedrontar quem tenciona vir para LEIC para o ano, mas também não vos vou dizer que é facil, que é simples e que vão ter as coisas de mão beijada como no Secundário. Tirem o cavalinho da chuva. Não vão ter ninguém que corra atrás de vocês para vocês entregarem relatórios a horas, não vão ter tempo para se coçar nem tempo para dormir quase. Vão ter de fazer directas, muitas vezes seguidas, vão passar a noite no IST e vão aprender a “ter tomates” para aguentar a pressão que vão ter sobre vocês. Com tempo acabam por lidar com tudo e vão aprender a tirar a minoria positiva de um bolo negativo, vão apanhar todas as pedrinhas que encontrarem no caminho e mais tarde vão construir o castelo (ah Fernando Pessoa, venha cá que o povo português precisa de si!). Diabos me levem se a vida de estudante não é a melhor de sempre! Posso não dormir, posso queimar pestanas com os raios catódicos do computador, posso até nem ver a minha família estando a 5 míseros metros dela, mas diacho, não quero que a minha vida de estudante acabe! Sim, podia ter um bocadinho menos de trabalho e projectos e jogos de computador que eu não me queixava, mas estou a fazer uma coisa que gosto! Onde eu estou, milhares de outros estudantes gostariam de tar…e tenho que aproveitar isso, da maneira mais saudável e humana possível!
Venha daí o mês mais complicado de sempre da minha vida, que eu vou levar uma porradona psicológica, vou ficar feito um caco, vou ficar em baixo quando os exames me correrem mal, vou andar a bater com a cabeça nas paredes. Mas depois tenho um mês e meio de férias e não vou mexer uma palha, vou voltar a fazer mapeling e vou ganhar um bronze decente porque com bronzes à camionista não vamos lá.
É I, é S, é IST!
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