Neste fim-de-semana, realizámos uma actividade de serviço diferente do habitual. Se vos dissesse que fomos acampar com os Lobitos (1ª Secção) até nem tinha muito impacto. Well, e se eu agora vos disser que TAMBÉM levámos os pais atrás?! Ah pois! Tcha-ran!
Sim, à primeira vista parece uma salganhada tremenda, crianças a correrem atrás dos pais por colinho, pelos pais para apertar os atacadores, pais a correrem pelos filhos para lhes arranjarem o colarinho da camisa. Mas não! Posso-me dar ao luxo de vos dizer que não foi assim. Quando criámos esta actividade, foi com o intuito de aproximar os pais da realidade do escutismo, de lhes mostrar o lado dos filhos que só conhecem nas festas de aniversário de Agrupamento, nas festas do final de ano e em algumas actividades onde são chamados para entrar com dinheiro e/ou comida. Desta forma, poderam experienciar a vida em campo, a preparação de um acampamento e poderam saber o que acontece aos filhos quando são deixados nas actividades e que actividades fazem. Sim, contra muitas opiniões e contra todas as expectativas, o balanço que faço desta actividade é bastante positivo, mais positivo do que eu estava à espera secalhar, admito.
O clã propôs à chefe da Alcateia fazer esta actividade no início de Abril, por isso até tivemos uma agilização rápida. Inicialmente até era para ter sido como preparação para o ACAGRUP, mas dado alguns factores externos, tivemos que alterar alguns objectivos das actividades. Então aquilo que era para ser um Atelier, acabou por ser um mega acampamento-atelier para 70 (sim, SETENTA) pessoas. Saímos no sábado à tarde da sede com os pais e os Lobitos em direcção a Montachique; eramos claramente um transtorno à boa circulação do trânsito, já que ia tudo em filinha, uns atrás dos outros, para o Cabeço. Lá, o problema foi mesmo arranjar espaço para tanto carro, mas conseguimos arranjar espaço para todos. Depois, actividade de formação das equipas. colar papéis da testa dos pais e tinham que se agrupar conforme o desenho que estivesse na testa. Hilariante, é tudo o que eu tenho a dizer! Riram-se mais eles da figura uns dos outros que nós deles! Conseguimos fazer equipas verticais em que os pais ficavam todos separados dos filhos e os irmãos dos irmãos: primeira tarefa atingida com sucesso. A primeira tarefa deles era arranjarem um nome, lema e grito para a equipa, como todos os bandos, equipas ou patrulhas têm. Depois foram distribuidos por três ateliers relacionados para a temática do acampamento: Montagem de Tendas, Preparação para o Acampamento e Vivência em campo. Bom, pelo menos posso falar sobre o meu (que foi Vivência em campo), mas acho que pelo feedback dos outros dois ateliers, creio que os pais, principalmente, gostaram bastante da experiência. No meu atelier tentei abranger um bocado de como deve ser o comportamento do escuteiro em campo, na sede e fora dela e na vida no dia-a-dia. Foi mais ou menos como um atelier de boas-maneiras, mas adaptado para as crianças! Tentei que fosse em jeito de conversa para não ser tão enfadonho e tão chato quanto parece ser e consegui aprender algumas coisas com elas e também os pais poderam conhecer a opinião honesta de alguns lobitos sobre o comportamento deles
À noite, após cozinharmos 10 (sim, DEZ) quilos de massa e outros tantos de carne picada e de ninguém ter passado fome e não ter sobrado comida NENHUMA (segundo objectivo do dia: cumprido), fomos fazer o habitual jogo nocturno pelo Parque, no qual cada caminheiro de escondeu num perímetro bem definido e tinha que apitar, até todas as equipas o encontrarem. Foi bem bem bem bonito! Deu para os pais e os lobitos se divertirem à grande, mas principalmente nós! No entanto, a cereja que viria a coroar o dia e toda a actividade era o Fogo de Conselho que organizámos; não foi nada de muito elaborado, serviu para mostrar aos pais o que se faz e arranjar um momento intimista de reunião de todo o campo. Mas não fomos só nós que animámos o Fogo-de-Conselho, pedimos a cada equipa para preparar uma peça (cómica ou séria) e posso dizer que se safaram todos bem!! Não houve ninguém que tivesse uma peça séria, incluimos momentos de canção e uma oração no final da noite, na qual um pai, um lobito, um caminheiro e um chefe poderam dizer pelo que estavam gratos. Foi um bom momento!
Em relação à hora de deitar, bom seria de esperar que quem estivesse mais cansado e com mais vontade de dormir fossem os pais, que os Lobitos ficassem a falar pela noite dentro e que a Amélia os mandasse calar. NADA DISSO! A Amélia teve que mandar calar…os pais! Galhofa até às tantas, apanham-se num acampamento pela primeira vez muitos deles e não controlam a excitação e adrenalina!
Hoje de manhã fizemos a avaliação separado: primeiro com os pais e depois com os Lobitos. Os pais pediram para organizármos mais actividades assim, mas que da próxima vez é só com pais e que eles não se importam nada de fornecer as alheiras, os chouriços e combina-se uma churrascada! Toda a gente concordou: foi sem dúvida alguma, uma experiência boa, nova e a repetir!
Venham mais Clã!





Bom, esta foto surgiu de uma altura em que nos pediram para fazer uma cara de atrasado mental. A visita foi curta (muito mesmo…só consegui ver a ala esquerda do primeiro piso) porque tínhamos de subir mais um bocado. Assim que lá chegámos e ainda com sol deu-se a habitual rotina de montagem de tendas…mas estas eram novinhas em folha! Eu que estava habituado a tendinhas pequeninas e aconchegadas, estas novas dão para dançar o fandango de um lado para o outro. Pena só que seja a última vez que as vá utilizar! Depois de as montarmos, tivemos um pequeno momento livre onde tomei a liberdade de fazer um pleno Touchdown (sim..um touchdown, aquela parte gira de um jogo de rugby em que os gajos voam até marcar ponto) e tudo isso está gravado! Juro que voei e juro que não sei o que se passou no fusível vermelho na zona do córtex cerebral para fazer tal coisa. De seguida tivemos um pequeno concílio onde, entre outros assuntos falámos pela primeira vez (em que eu estive de corpo presente. A última vez que tínhamos falado sobre este assunto foi por videochamada) da passagem de testemunho dos guias deste ano para os do próximo ano. Essa passagem com alto valor simbólico realizou-se nessa noite no cume da Serra da Estrela, com um jogo nocturno que consistia na procura de três bandeirolas de três equipas…as que vão ficar para o ano. Bom, eu não participei neste jogo precisamente por fazer a passagem de testemunho para o meu novo guia. Deu-me um gozo desgraçado andar por ali a conhecer a Torre de noite e sem neve, duas coisas que nunca tinha visto. Entretanto e para colocar alguma pressão em nós, aparece caído do céu o guarda republicano do posto de controlo da Torre, a avisar que só naquele dia já tinham sido assaltados dois carros ali naquele sítio. Nada que nos fizesse mudar de ideias! O jogo foi para a frente e só foi mesmo apressado pela malta que tinha lanternas (não precisavam guys! A lua chegava-vos perfeitamente!)…
Esperem esperem! Voltemos atrás! Esqueci-me de contar que quem ajudou a fazer o jantar fui eu e o que era o jantar? Frango! Uau! Não podia dar melhor grito de Ipiranga que o arrancar a pele a quatro frangos! Nunca o tinha feito e logo ali, onde o melhor utensílio que arranjei foram os meus dedos! Excluíndo todo o carácter erótico da minha próxima afirmação, estava com as mãos totalmente lubrificadas! Não posso ver frango à frente!
Considerado um percurso de dificuldade 6/7 (Médio a elevado), demorámos 5 horas para o subir e 2 para o descer. Só vos digo, esqueçam Cancun, esqueçam Bora bora’s ou coisas mais paradisíacas que uma porrada de vales e montanhas agregados, porque quando for grande e tiver uma casa só minha, ela vai ser no Gerês e a minha piscina será natural…será uma das cascatas e lagoas transparentes que se espalham por todo o vale do Rio Homem. Não há nada tão bonito como aquilo, disso vos garanto eu! De outra coisa vos garanto eu, não se deixem enganar pelo aspecto fantástico das lagoas porque elas são frias que nem cornos! E eu que quis experimentá-las bem de perto, experimentei-as perto de mais e só vos digo que ao fim de 15 segundos, tinha todo o meu corpo contraido como se fosse uma enorme ferida e tivesse um pacote de ervilhas congeladas em cima. Parámos perto de uma lagoa pequenina já perto da nossa última etapa do percurso ascendente para comermos e aproveitei para pôr as patas de molho…
Mas se alivia os pés do calor? Ai isso alivia! Assim que acabámos de morfar as sandes com Lapiara de tuna fish ou pollo, continuámos a subir e desta vez já eu tinha a máquina em posse, que até à altura tinha estado na mão de terceiros. Pus os meus dotes de Voyeur em prática e comecei a tirar fotos a tudo o que encontrava até chegar ao destino final: os Carris. Acho que o nome só existe porque alguém achava que chamar à zona Carris era giro e ao mesmo tempo intimidante, porque carris é o que menos lá há! Mentira, vi um pedaço de carril na zona das casas abandonadas e ao pé da entrada das antigas minas. Aquilo lá em cima é divinal, não se ouve NADA e tem uma vista do outro mundo. Por mim tinha lá ficado a tarde inteira, não tinha trocado por nada aquilo…quer dizer, tirava só de lá os grandes abelhões barulhentos que vagueiam, porque, de resto não substituia nada.
Depois de um tempinho lá em cima para conhecer a zona, a subir a todos os pontos altos para ter o melhor plano possível, tivemos de voltar tudo para baixo e então poderíamos entrar nas tais lagoas com cascatas fenomenais, ainda que sabendo que podíamos ser vítimas de um choque térmico violento e que o Lapiara vinha cá parar todo fora! Mas também com o calor todo que fazia era impossível resistir (sim…enquanto que aqui em Lisboa chovia e trovejava, lá em cima estava um sol radioso e um calor desgraçado, tanto que eu estou escaldado nos ombros e com a cara um bocado vermelha). E o episódio de entrar na lagoa também é algo mimoso: eu dispo-me, fico em fato de banho e ponho pé lá dentro, não está assim tão mau como isso, sento-me na bordinha da rocha, escorrego e entro na água gélida, esperneio e encontro o chão, a água começa a fazer das suas e eu mergulho mas não aguento muito mais. Saio da água e vou-me enrolar na toalha. Entretanto o meu lenço caiu à água e está completamente ensopado! Assim que me sequei fui fazer voyeurismo no meio da água, ou melhor, num cotomisso de rocha seca no meio do curso de água…
Dali até ao final foi mais meia hora. Agora era só pegar nas carrinhas e ir embora até Braga, a grande parte com um andar novo, outros com a planta dos pés renovadas mas todos com um nível de realização pessoal estupendo! Chegámos ao Sameiro eram cerca de 9h e o jantar foi quase às onze da noite. É aqui que entra a primeira inovação em acampamentos: nós estávamos num seminário com uma cozinha industrial e lá havia uma máquina de lavar loiça também industrial, que lavava tudo em 3 minutos. “Brilhante” pensámos nós e aqui vai disto, não fomos de modas e usámos a máquina. Ao fim dos ditos 3 minutos, estava tudo um brinquinho! Amazing! Para terminar o dia, subimos ao Sameiro que é algo de se tirar o chapéu, também. Escadas também que se farta, não tanto como o Bom Jesus mas exaustivas depois de andar sobre calhaus rolados todo o dia. A vista lá em cima também é abominável e faz-me lembrar, em grande parte o Sacre Coeur em Montmartre.
O dia termina comigo enfiado no saco cama, sem ressonadelas e completamente pedrado.


À noite e como se não fosse costume em actividades de Pioneirada, toma lá um Raid nocturno! E levam o bónus da dormida ao “relevo” (piada mais que batida no agrupamento, pela gaffe de um determinado hominídeo que disse “dormir ao relevo” em vez de ao relento)…maluqueiras de escuteiro; se eu alguma vez trocava a minha cama pelo chão e pelo frio! Durante o raid houve quem visse fantasmas mas todos acabámos por apanhar provávelmente o maior susto: fomos seguidos por estranhos que, cada vez que passavam por nós (eles chegavam a um ponto da estrada que voltavam para trás e voltavam a passar por nós), faziam o favor de dizer: É desta que vos apanhamos. Agora não tem qualquer significado mas acreditem que no meio do mato, à noite, candeeiros de kilómetro a kilómetro e gente a fazer gracinhas com escuteiros assustados não é lá muito bom de se ver. Então, acreditem ou não, houve uma altura que acabámos por descer uma ribanceira para que eles não nos vissem e agarrámos todos em paus e pedras…passou-nos tudo pela cabeça: rapto, violação (ui! isto tem tanto para se falar em termos escutistas! xD), tudo aquilo que se possa imaginar e que é moralmente incorrecto fazer com adolescentes de 15 anos.






