(A Fia foi a vítima mais recente da minha vontade de ter alguém a escrever para mim. Pedi-lhe há duas semanas atrás para me escrever algo, estilo completamente livre, soltar a franga literária e como ela já tinha tido um blog achava que a coisa até era capaz de resultar bastante bem. Já agora, este é o blog dela; ela gosta de fazer amigos e tem dois peixes na barra ao lado que podem alimentar. Matem o Elvis Peixoto com comida e tomem especial atenção ao Arroz de Tomate. Publicidade, Fia, é cobrada à saida!
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A convite do Stee, falo-vos hoje sobre meios de transporte.
Estava eu a sair da estação do metro na Pça. de Espanha quando me deparo com o seguinte anúncio:

À primeira vista (e à segunda também), o anúncio da Carris parece cativar realmente os peões. Passaram então duas pessoas que, sob o meu olhar atento, não só pararam como também sorriram para o “slogan”. E deva exprimir-se por palavras as imagens: “Pessoa mais autocarro igual a menos carro menos um carro”. Se pelo símbolo “- carro” a pessoa não percebeu bem a Carris esclarece: “menos um carro”. Ou será que a Carris queria dizer menos dois carros? Será que a empresa não sabe que cada pessoa só pode conduzir um carro? Hein?
Mas é certo que os transeuntes não ficaram a matutar na igualdade. Pelo contrário, eu, como pessoa que divaga por vezes um pouco exacerbadamente, fiquei a espremer o assunto por mais uma meia horita.
A partir da igualdade inicial e, pelas regras matemáticas que temos vindo a aprender, obtive então, primeiramente, a seguinte equivalência:

Mas esta equivalência não faz qualquer sentido. É claro que aqui a igualdade seria, em termos lógicos (e não matemáticos puros):

Isolando a pessoa num dos lados da igualdade, partindo novamente da primeira expressão, obtém-se:

Desta forma eu alerto para os acidentes de trânsito. Pois é meus caros! Um autocarro em choque com um carrito (leia-se o “+” desta expressão como “choca com” (ui, que matemática pura)) e lá se vai uma pessoa. Assim como:

“Uma pessoa choca com um autocarro choca com um carro é igual a zero”. Esta é definitivamente a forma canónica da questão. Dos acidentes mais perigosos não resta mesmo nada. Por isso o melhor mesmo é:

E este brilhante conjunto de símbolos significa que uma pessoa que anda a pé é igual a menos um (lugar no) autocarro e menos um carro. Ora aqui está uma pessoa saudável, que não se mete em acidente perigosos e é, ainda, amiga do ambiente. Nesta não pensou a Carris. Mas não faz mal, está aqui a Sofia a corrigir a situação.
Como com isto ainda não tinha chegado à meia hora, pensei em coisas absurdas como:

Ora, esta igualdade, necessita de um pouco de criatividade e talvez um grande bocado de estupidez, para ser entendida na íntegra. Assim sendo, leio esta igualdade como: “Uma pessoa barra em condução automóvel está apta para conduzir autocarros” (entenda-se “barra” como: imensamente dotada para). Ok, a demência está confirmada.
Acho que vou deixar de usar Carris e passar a usar só o melhor meio de transporte: O metro! Pelo menos sobre ele a Carris não deixou qualquer mensagem subliminar.
Fia
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Isto é que é matemática da pesada! É para verem o nível de matemática que se adquire nos primeiros tempos de faculdade!
Gostei especialmente do “pessoa barra em condução automóvel”. Acho que vou adoptar esta linguagem para os números: 2 / 3, o dois que é barra em 3! Isto até soa a slogan e tudo!