Hoje apercebi-me que as pessoas não duram para sempre…não que ainda não tivesse tomado consciência disso mas hoje bateu especialmente fundo. Gostávamos que vivessem para sempre, que nos pudessem contar as mesmas histórias de crianças para sempre e até que nos dessem palmadas nas costas quando tivessemos feito a maior asneira de sempre. Gostava que todos os meus próximos vivessem para sempre mas, em particular, o meu avô materno, o avô Bi (ficou assim baptizado por todos nós como diminuitivo de Abílio). Ele não sabe que estou a escrever isto, é provável que daqui a uns dias quando o encontrar de novo a minha avó me diga que ele gostou do que viu; sobretudo porque ele se dá ao trabalho de vir todos os dias visitar o blog para ver aquilo que escrevo e isso significa o MUNDO para mim! Sei que ele andou à procura da revista com a foto onde eu e ele aparecemos à uns bons anos atrás…eu achei-a e agora está aqui:
És tu quem eu não quero deixar partir! Foste-te abaixo no último ano mas voltaste, voltaste com uma vontade de vencer incrível, como quem fica pronto para outra; mas aos poucos os teus 84 anos consomem-te e tu fraquejas. Sei lá acho que foi por me ter habituado a ver-te com uma energia imparável, por sempre te ter visto a fazer tudo que agora me parece tudo mais difícil…não te consigo ver com as dores que tinhas hoje, as dificuldades e principalmente o teu estado emocional, fraco e em baixo. Gosto quando sorris e tudo parece bem! Mas espera lá! Eu não devia estar a falar para uma pessoa de 84 anos, eu falo com alguém com pouco mais que a minha idade! Acredito que ainda te vou ver a apagar as 100 velas com uns pulmões melhores que os meus! Podia dizer tanta coisa mas não o faço por ser uma coisa de família, por estarmos a falar de pessoa tímida para pessoa tímida…nós cá nos entendêmos com o silêncio, não é?!
Este post é para ti “avô Bi” que incessantemente cuida de mim e que lê o blog…obrigado por seres a base da casa que vou construíndo!
Filed under: família


Muse - The Resistance
La Roux - La Roux




Consigo perceber exactamento o que passaste, e realmente é bom ver que tudo vai melhorando pouco a pouco, embora nunca fique perfeito.
Pensei que só a tua prima me fazia ir às lágrimas.
Oh Paulo,
Eu choro desalmadamente com filmes e nunca com coisas escritas. Esta foi a excepção!
O que escreves é belo porque é genuíno e autêntico. E não é verdade que o silêncio é onde dizemos as melhores coisas?
Abraço.