Hey! Oito dias depois consigo arranjar tempo para falar dos meus dezoito anos! Isn’t this great?!
Sábado sai mais cedo do JOTA para poder comparecer a um jantar com uns amigos do meu pai. O combinado era irem-nos buscar às 20h em ponto à Humberto Delgado para ainda podermos ir a casa tomar banho e vestir-mo-nos como deve ser ( : : = vestir com algum formalismo) e estar a horas decentes num lugar incógnito que o meu pai não me soube dizer onde era, que apenas tinha as coordenadas que lhe tinham dado e que ia lá ter. Já passava das 20h30 e eu estava podre de sono, de rastos e literalmente a dormir no chão da escola e ainda nada de nos virem buscar. E eu já começava a entrar naquela altura em que se pensa em tudo e se fazem histórias bonitas com palavras soltas na cabeça que derivam do estado de cansaço. Percebem? Acho que sim. Confesso que aquilo que se passou nessa noite não foi nada que não me tivesse passado remotamente pela cabeça e que durante algum me manteve ocupado “E porque era muito bom chegar lá e ter os meus amigos escondidos. Mas nah! É Lisboa! Vamos para Lisboa e eles não iam lá fazer-me a surpresa! Por um lado até não faz muito sentido esta falta de informação e tanto formalismo para ir jantar a Lisboa! Não vamos ao Casino…acho eu!”. Todo este discurso se repetiu na minha cabeça vezes e vezes E VEZES sem conta…talvez por ter ficado mal habituado a surpresas! Bom, mas lá saimos de carro para Lisboa. Entretanto ia a morrer dentro do carro cheio de sono, ainda fiz algumas fintas de cabeça enquanto o meu pai falava connosco sobre o JOTA na altura dele e ia ao mesmo tempo acompanhando o percurso do carro no GPS e só sabia que o restaurante era perto do sítio onde tinha ido fazer a oral de Inglês, pertinho do Príncipe Real.
Primeira etapa estava concluída, chegar ao restaurante. Fala cumprimentar os convidados do jantar que er…espera lá não eram as caras que estava à espera! Mau mau, a história começava compor-se e lá cumprimentei os presentes. Cheirava a esturro mas olhava para dentro do restaurante e não via ninguém; ‘tá bem, deixa estar…pode ser que ainda haja mais gente! Aparece a Vânia com a Maria João, faz-se um bocado de sala e acabamos por entrar no restaurante. Havia no ar um ambiente, não sei, parecia que ia explodir a qualquer momento, o músico da entrada parecia muito suspeito e eu só pensava “Epá se o homem por acaso se lembra de me cantar os parabéns tou f*dido! Não estou cardiologicamente preparado para grandes festas nem surpresas!”. Entro para a sala do restaurante e vejo lugares a mais…muitos lugares a mais e um racio muito mal distribuido de talheres para as pessoas que estavam a fazer sala à entrada. Desconfiado como sou (e sou o!) olho para todos os lados e assim que olho para a frente vejo movimentações a mais numa salinha mais pequena do restaurante (gosh! Quantas vezes já repeti eu o vocábulo “restaurante”?!) através de um reflexo da janela: troca de olhares com o Xu ao que ele diz “Ele tá-me a ver!”. Saio do restaurante a correr para a rua e deito as mãos à cara e só me passavam palavras rudes pela cabeça tais como “P*rra” “F*dasse” “C*ralho”, e só pensava “Como?! De novo!!”. Chamo a atenção para o cariz familiar que este blog simplório foi perdendo de texto para texto, não foi para isto que os meus pais me criaram, para dizer tantas asneiras em público!
Assim que chego cá fora sou rodeado por tanta gente! Não estava à espera, não mesmo porque não tinha nada combinado com ninguém. Estava esfuziante, eu tremia, o sono tinha passado completamente, as olheiras estavam mais sobressaídas que nunca! Sentei-me à mesa e ainda não estava em mim…GOOOSH! Vieram as bebidas e ‘bora lá…brindes com a malta, mas não muito álcool porque senão não aguentava a noite toda. A primeira prenda foi o voto de confiança para poder ficar em Lisboa a noite toda com os meus amigos…e correu super bem! As prendas mesmo começaram a cair a meio da noite quando soube que havia sido eleito o melhor pioneiro pelo grupo todo e mais tarde à meia noite quando as chamadas começaram a cair no telemóvel: nunca em tão pouco tempo tanta gente me tinha dado os parabéns telefonicamente! Cantaram-me os parabéns na rua, dentro do restaurante e ainda por mensagem.

Depois seguiu-se a troca unilateral de prendas; unilateral porque eu só recebi e não dei nada a ninguém
Não sei porque nem se foi algum tipo de indirecta porque se foi bateu na parede e voltou, mas a escolha de prenda recaiu muito sobre o corredor da higiene pessoal, roupa interior e pronto, coisas que possam derivar de elas as duas juntas!

Todas estas prendas têm uma sequência que poderá ser consultada naquele postal gigante que está na base da fotografia (os interessados dever-me-ão consultar). Li o postal e recebi toda a sequência de presentes acima vista de microfone na mão (falta ali o casaco que, neste momento, está pendurado atrás da porta)…ora imaginem-me a dizer que recebi uma caixa de preservativos de mike na mão para todo o restaurante! Que fixe! O resto da noite foi passado entre o Bairro Alto e a zona de Santos, zonas não muito bonitas de serem visitas durante a noite de sexta ou sábado! Se me perguntarem porque tenho um saco da Douglas na cabeça naquela primeira foto perguntem ao Nuno…ele achou que ficava um must com um saco azul na cabeça para abrir as prendas!
Agora vem a parte nostálgica do post e a parte mais bonita e mais sentimental. Primeiro os agradecimentos a todos os presentes do dia-a-dia, os amigos e os principais: Ritinha, Chris, Seroilas, Xu, Nuninho (man tu tás em todas! Sempre tu a fazer de desentendido principal ao pé de mim! Sempre a cabeça!
), Joãozinho, Dias, Rita, David, Fih (minha querida que saudades tuas, a minha idola!
). Aos presentes amigos da família: Pedro, Vera, Tozé, Carina, Maria João. À familia e mentores da surpresa: Diogo, Diana, Gonçalo, Vânia e Pai. Aos que não puderam lá estar: Martinha (a outra idola!), Cláudia, Tiaguinho (até me declarava aqui a ti rapaz, mas depois tinha a Roxy à perna a dizer que eu era altamente homossexual!), Taninha, Fia (mana faltavas lá tu para te juntares a mim e ao Xu!), Coimbra, Fabio, Bino, Guilherme (essa carraspana matou-te por completo!), Karane, Abelha e Martins. Aos serventes do restaurante, às copeiras, ao músico que me emprestou o seu microfone sagrado, às pessoas que estavam no restaurante e que não refilaram comigo nem se riram de mim por eu ter falado alto demais nas minhas prendas, a quem fez o bolo de aniversário que acabei por não provar. À família que não esteve lá, aos amigos que não estiveram lá e que se lembraram de mim, aos que me preencheram ao longo de dezoito anos consecutivos e àqueles em que vou tropeçar dentro dos próximos dezoito anos.
Em segundo e último lugar, gostava de destacar uma passagem do testemunho que o meu pai escreveu no mega postal.
(…) Que prossigas a tua viagem como sempre fizeste (…) nunca te esqueças de apreciar a paisagem. Aproveita tudo o que a vida te pode dar, chupa-a até ao tutano.
Carpe Diem
Prometo que a chuparei até não poder mais, até ser só osso. Descarto-me de todos os segundos sentidos, que se lixem eles! Tenho dezoito anos e agora posso fazer trocadilhos sexuais legalmente sem ser olhado de lado! AGORA SIM COMEÇA A VIDA!!
Gostava só de destacar um último aspecto. Só aos dezoito anos é que o meu melhor David Motta se começou a sobressair. Esta foto prova isso! Somos ou não somos cópias iguais um do outro?!
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Secalhar não naquela foto…mas noutra alguma que eu já vi perdida na Maria!